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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A menina e o pássaro

Era uma vez uma menina de tranças que adorava passarinhos, mais do que isso, ela adorava o "seu" passarinho.
Ele era tão lindo, com suas cores fortes, de um tom de azul que ela nunca tinha visto igual. E como cantava! Todo dia, de manhã, a menina acordava com o canto do seu pássaro, como que dando um bom dia, como que saudando o dia da maneira mais delicada que existia.
A menina sentia-se feliz assim, dava amor ao pássaro e era retribuida com o canto mais lindo.
O tempo passava e ela percebia que seu bichinho já não era o mesmo, ele não cantava mais, parecia triste, parecia que o mundo dentro da gaiola e perto da menina não mais o satisfazia.
O pássaro, ela não sabia, sentia-se cansado, queria ganhar os ares, sentir o vento em suas penas e por mais que amasse a menina, achava que já estava na hora de partir.
Um dia, a menina, percebendo a intenção do pássaro, pediu uma última música e ele a cantou, lindamente, mais linda que nunca.
Ela chorou e disse baixinho: "Obrigada passarinho, você me fez muito feliz, eu vou sentir sua falta".
Ela abriu a gaiola e o pássaro saiu, voou até a janela e olhou para a menina. Ela sorriu.
O pássaro voou para o céu azul e como foi bom! Ele estava bem agora.





Voa avôzinho, você está bem agora.
+01-08-2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Eu não sou flor


Sabe quando você sente que algo murchou? Eu não consigo encontrar palavra que defina melhor o que está acontecendo...
Paciência me falam. Vai passar outros dizem. E, até, é frescura.
Se olha no espelho, o que você vê? Eu vejo, vejo e não consigo encontrar n-a-d-a.
Está vazio.
Murchou e eu nem vi. Ou talvez tenha visto, mas fingi que não era comigo. Vamos beber, eu dizia. Beber é bom, nos faz esquecer. É, até o dia em que você não aguenta mais beber. Outro sintoma de que tudo murchou.
Eu deveria o que? Qual é o contrário de murcho? Eu não sou flor, nem quero ser. A vida não devia murchar diante dos meus olhos, eu não devia murchar diante dos olhos alheios.
Principalmente daqueles olhos tão adorados. Olhos cor de café fraco, quase chá. Olhos que não consigo mais encarar, pois não quero que vejam o que eu vejo, não quero que olhem para o vazio.
Cansei de ser estações do ano.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O peso da alma

Deixa acabar assim
levemente
feito bolha de sabão
que flutua vagarosamente
mas, sempre estoura.

Deixa acabar assim
com aquele gosto
agridoce
que lembra nossos tantos
beijos de despedida.

Deixa acabar como começou
com aquele olhar
em meio a multidão.
Só que desta vez
você não volta.

Deixa acabar assim
sem raiva
mas, com alguma mágoa
perdida.

Deixa acabar assim
em paz.
Com o tempo, essa paz
se transforma no que deve.

Deixa acabar assim...

Com o tempo
tudo
se transforma em
nada.

Aí, acaba de vez.

sábado, 14 de novembro de 2009

Despedida

Finalmente fui embora daquela cidadezinha rodeada de bucólicas montanhas. O mais engraçado é que quando cheguei lá tudo era lindo e novo e misterioso, com suas ruas de paralelepípedos, suas igrejas de ouro e seus bares vintage, só que quanto mais se aproximava o momento de partir, mais a cidade que eu tanto amei ficava insuportável. Mas, desconfio que não era a cidade que piorava e sim as pessoas que nela moravam. Quando conhecemos alguém podemos ter uma antipatia imediata ou não, podemos gostar já de cara, existem pessoas - foi assim no final - que eram tão legais e acabaram se mostrando totalmente idiotas. Porque, meu Deus, alguém vai brigar por causa de uma opinião nossa, isso quando essa mesma pessoa foi quem nos disse para sermos sinceros, e porque essa mesma pessoa não fala o que sente e porque está brava mesmo quando pedimos um milhão de vezes para faze-lo? Eu juro que não entendo, e também juro que isso me cansou e me fez, no final, desgostar bastante de lá.
Bom, mas quanto mais pessoas ridiculas encontramos pelo mundo, mais pessoas que valem a pena também aparecem, e comigo não foi diferente. Posso dizer que por todo o tempo que fiquei lá, algumas pessoas realmente me fizeram feliz. Posso citar como exemplo uma chinesinha que não sabe contar piada, mas que é tão inteligente que até assusta, ou um pseudo-intelectual ichsano (haha) que usava bigode e gostava de sair de pijamas pela rua, ou até um pagodeiro que, juro, não tinha coração (já viram algum?). São pessoas que fizeram meus dias coloridos e que me fizeram ver que uma cidade bucólica no meio das montanhas pode ser chata, mas tem seus dias bons, e esses minha gente, valem mais que uma sobremesa boa do bandeijão (hehehe).
Acho que no fim das contas eu achei o que tinha ido procurar tão longe de casa, achei a-m-a-d-u-r-e-c-i-m-e-n-t-o. Valeu a pena. =D

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

-Porque você esconde seu rosto entre os cabelos, Anne?
-Ah, sei lá. Via as atrizes nas novelas, todas lindas e misteriosas, eu acho que quero parecer misteriosa também.
-Pois a mim você não parece nada disso, só parece o que realmente é, uma criança assustada.

(é mais ou menos assim que me lembro do livro)

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Madrugada

Porque as madrugadas nos reservam mais do que simplesmente frio e neblina

Esta madrugada está sufocante, meu coração apertado, sentindo falta de nem sei o que.

Ando de carro pela cidade ouvindo umas músicas deprimentes que tocam na rádio universitária. Penso em Raul e tenho vontade de vê-lo, quero andar a pé pela cidade de madrugada como outrora fazíamos. Íamos lentos e pensativos, sempre com uma garrafa de algo amargo/doce, mas sempre com álcool, nas mãos.

Sinto tanta falta destes momentos que até dói. Pego meu celular, dou um toque no celular dele e deixo que o destino diga se fiz certo.

Meu celular toca e ouço uma voz perguntando onde estou. Peço para ele olhar pela janela da sala. Ele aparece na janela e para minha surpresa, sorri, um sorriso no começo estranho, mas depois vai tomando uma forma de lar que é impossível eu não retribuir. Raul desce e eu o convido para caminhar.

- Preciso conversar com você.

Ele aceita, é lógico, não me lembro de um dia ele ter me negado algo. Vamos andando num passo lento, sem bebidas desta vez, somente percebendo a presença um do outro, lado a lado.

- Desde a última vez, não há um dia em que não pense em você. Algo falta todos os dias da minha vida.

- Faz tempo que não abro a velha caixa de sapatos jogada em meu armário, durante todo este tempo eu queria que você ficasse lá dentro dela, não queria pensar em você.

- Eu tenho tanta coisa para te dizer, tanta coisa que gostaria que entendesse. Eu fiquei por tanto tempo tentando preservar nossa amizade que não via o quanto te magoava cada vez mais e mais e quando tudo terminou e eu perdi meu melhor amigo, achei que não fosse para sempre, não percebi o definitivo, achei que quando superasse a mágoa, nossa amizade prevaleceria, mas as coisas não são bem assim não é? Você superou mais do que a mágoa e minha amizade, nossa amizade, se perdeu como todo o resto. Isso dói.

- Tudo anda tão sem graça Ana, achei que o tempo, a vida nova, as pessoas novas me trariam o que procurava, mas a verdade é que a procura nunca acaba e depois de um tempo você volta a estaca zero e sabe quem sempre me esperava lá? Você. É como se eu sempre voltasse para você. Lembro-me das nossas conversas e divagações, de como me dizia que tudo era sempre igual e tudo sempre seria igual, os começos e os finais sempre seriam iguais, eu compreendo, mas também digo que é tão cansativo.

- Carlos uma vez disse-me que sentia saudade do que não existe e que essa saudade doia. Me sinto assim Raul, como se um pedaço permanente de minh’alma faltasse, como se tivesse deixado algo ou alguém essencial a minha vida no mundo das idéias e agora, aqui, no mundo real só me sobrassem cópias mal feitas da perfeição que pelo visto nunca encontrarei, será que alguém um dia me entenderá de verdade? Você me entenderia Raul?

-Lembra da lua, Ana? Lembra de como gostávamos de admirá-la? Seja em frente a fogueira ou a um lago, nós a admirávamos e aquele momento era tão perfeito, não faltava nada. Porque esses momentos não podem ser mais longos, porque deixamos o vazio nos preencher, sendo que deveríamos era preencher o vazio?

- Acho que a verdade meu amigo, é que não temos escolha. O vazio, o inconformismo são inerentes a nossa natureza e sinceramente, acho que nem a porrete mudaríamos.

- Nos fudemos então?

Rimos os dois, de novo o sorriso radiante que eu tanto gosto, nos olhamos com entendimento e é como se agora, neste instante, todas as respostas do universo estivessem respondidas.

- Senti sua falta.

- E eu a sua.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Fallen


As vezes eu me sinto tão cansada Chico, você me entende? É uma canseira de viver, de sorrir, de sentir... Gostaria de ser fria só mais cinco minutinhos e deixar que os sentimentos fiquem lá guardadinhos pra daqui a pouco.
Deita sua cabeça em meu colo e olha esse céu. Olha o céu que tanto ama, o arco-íris depois da chuva que caiu hoje, sente o vento em seu rosto e chora se tiver de chorar e ri se tiver de rir, mas para com esse vazio, Ana. Para com isso...

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Lágrimas

Ela virou as costas e chorou como NUNCA havia chorado na vida. suas lágrimas eram por todas as pessoas que fingiam alegria, por todas aquelas que tinham seus amores/amigos perdidos, por toda aquela guerra de poder que acabava com sentimentos tão lindos e tão nobres que não mais existiam por causa de coisas tão pequenas, por causa do destino, aquele filho da p@$%&* do destino que ousava separar pessoas tão lindas, pessoas que realmente se amavam e as jogava no meio de uma selva, no meio de "bichos" que nunca as entenderiam como aqueles dois amores se entendiam.
Ela chorava, e chorou por toda aquela noite. Seus amigos e o namorado não entendiam as lágrimas e os soluços desesperados da menina. Ela repetia e repetia que sua asa estava de novo quebrada e mais uma vez era um anjo torto e mais uma vez precisava do seu herói que vez por outra tinha dezoito anos e vez por outra tinha cinquenta. Ela precisava tanto dele e chorava tanto.
Chorava por seu herói que nunca mais viria tocar a campanhia salvando-a. Ele tinha sua própria história, não era isso que repetia sem cessar em sua cabeça? Não era a voz dele dizendo que sempre amaria seu anjo torto, mesmo de longe, que não parava de escutar? 
Conforme-se menina. Deixe que as lágrimas escorram para longe, levando sua dor, sua solidão e que por fim tenha um final feliz. Não é para isto que nasceu, menina da asa quebrada, para finalmente voar pelos céus? 
Mas então, porque doia tanto saber que voaria sem ele? Que ele, entre tantos era o que queria que visse seu voo, pois sabia que entre tantos era o que mais torceria pela sua liberdade e alegria.
Ah, menina. Chore, chore suas lágrimas de sal. Chore a dor de ter de esquece-lo. Chore por uma nova vida que sim, será boa, mas será sem ele. Será incompleta.
Ela sabe que a partir deste dia, chorará todas as noites...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

TUBARÕES

Eu sempre tive medo de tubarões. Ficava em minha cama no escuro imaginando que com uma dentada eles poderiam arrancar a perna de uma pessoa e não conseguia dormir mais. Acho que isso se deve aqueles filmes dos anos 80 sobre esses animais, sabe? Nunca gostei de sangue em filmes, talvez na vida real eu nem tenha tanto medo, mas sangue em filme é tão mais assustador, tubarões arrancam tantas pernas e aparece tanto sangue que dá uma aflição.
Mas enfim, não é sobre isso que quero falar, comecei com esse assunto para falar sobre medo e como estou morrendo de medo agora.
Na minha vida sempre tranferi meus medos para tubarões, era só algo me afligir e lá vinha eu sonhar com os bichos, por isso que sempre digo que meu único medo é tubarão, por que ele se torna maior que todos os outros medos e quando vejo os dente afiados vindo em meus sonhos esqueço de todo o resto, ou pelo menos finjo que esqueço.
Quando era criança, dormia de luz acesa, com o tempo aprendi a respeitar o escuro e a gostar dele. Porque justamente hoje, uns 20 anos depois é que senti essa vontade de acender a luz?
Tenho medo, não quero ficar sozinha, não quero que os tubarões voltem, não quero mais sentir meu coração apertado e essas lágrimas nos olhos.
Tubarões, por favor, vão embora e me deixem dormir! Ele está aqui dormindo ao meu lado e vai me proteger, não vai? Você vai, não vai?
Vão embora e me deixem dormir, eu preciso dormir para esquecer o medo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

MENINA

Menina de papel de seda
molhada de lágrimas
que desmancha, desman...

Menina da asa quebrada
que hoje voa livre
sobre as montanhas
altas, ALTAS.

Menina do deserto
que deixa o coração
sob uma pedra
e depois o recupera
numa tarde quente.

Menina pinguím
Menina linda
Menina amor
Machuca o meu amor
não é?

Menino olhos de tempestade
Menino caçador de pipas
Menino deserto salgado
Menino neblina
Machuca o meu amor
não é?