sábado, 13 de março de 2010

Novo adeus

O que sempre esteve explícito é que você era dela e eu era dele. Disso tirávamos que nunca seríamos ou teríamos um nós.
Senti sua mão em meu corpo, quis prolongar aquele estado de semi-dormência para te sentir só um pouco mais.
Nossos fugazes encontros eram isso, nada mais do que prolongamentos de momentos, mãos e bocas, prolongávamos o gozo para que eu te sentisse só um pouco mais dentro de mim.
Toda vez era a mesma coisa, primeiro a volúpia, a vontade de ter e ser e ter mais um pouco. Depois vinha a satisfação e consequentemente a melancolia e o desespero.
Eu ficava esperando o momento em que você diria que precisava ir, pois ela o aguardava. Eu diria que tudo bem, pois, ele também me aguardava, abaixaríamos os olhos por um ou dois segundos e quando os levantamos eu já estaria com os meus encharcados, você pegaria minhas mãos e diria que não precisava ser assim, me amava, nós tínhamos uma escolha. Mas, você sempre soube que não, não tínhamos escolha, e era isso que eu sempre te lembrava aos gritos. O desespero tinha chegado.
Eu já perdi a conta de quantas vezes eu te disse que essa era a última, que nada se repetiria. Só para ouvi-lo concordar. E, quando estivéssemos com a certeza da despedida, eu o olharia súplice e você me beijaria, como se fosse nosso último momento na Terra.
Eu te amo, eu diria. E você sorriria com aquele seu meio sorriso que eu nunca sabia se era de alegria ou dor, assim, nos deixaríamos ficar, enroscados em mais um prolongamento.
Você vai estar aqui semana que vem não é? Não sei, isso não é certo... Mais um beijo, e com ele a certeza de que haveria uma semana que vem.
Nós éramos de outras pessoas, eu nunca seria sua e você nunca seria meu, mas, sempre haveria a semana que vem.
Adeus. Adeus.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O peso da alma

Deixa acabar assim
levemente
feito bolha de sabão
que flutua vagarosamente
mas, sempre estoura.

Deixa acabar assim
com aquele gosto
agridoce
que lembra nossos tantos
beijos de despedida.

Deixa acabar como começou
com aquele olhar
em meio a multidão.
Só que desta vez
você não volta.

Deixa acabar assim
sem raiva
mas, com alguma mágoa
perdida.

Deixa acabar assim
em paz.
Com o tempo, essa paz
se transforma no que deve.

Deixa acabar assim...

Com o tempo
tudo
se transforma em
nada.

Aí, acaba de vez.

sábado, 14 de novembro de 2009

Despedida

Finalmente fui embora daquela cidadezinha rodeada de bucólicas montanhas. O mais engraçado é que quando cheguei lá tudo era lindo e novo e misterioso, com suas ruas de paralelepípedos, suas igrejas de ouro e seus bares vintage, só que quanto mais se aproximava o momento de partir, mais a cidade que eu tanto amei ficava insuportável. Mas, desconfio que não era a cidade que piorava e sim as pessoas que nela moravam. Quando conhecemos alguém podemos ter uma antipatia imediata ou não, podemos gostar já de cara, existem pessoas - foi assim no final - que eram tão legais e acabaram se mostrando totalmente idiotas. Porque, meu Deus, alguém vai brigar por causa de uma opinião nossa, isso quando essa mesma pessoa foi quem nos disse para sermos sinceros, e porque essa mesma pessoa não fala o que sente e porque está brava mesmo quando pedimos um milhão de vezes para faze-lo? Eu juro que não entendo, e também juro que isso me cansou e me fez, no final, desgostar bastante de lá.
Bom, mas quanto mais pessoas ridiculas encontramos pelo mundo, mais pessoas que valem a pena também aparecem, e comigo não foi diferente. Posso dizer que por todo o tempo que fiquei lá, algumas pessoas realmente me fizeram feliz. Posso citar como exemplo uma chinesinha que não sabe contar piada, mas que é tão inteligente que até assusta, ou um pseudo-intelectual ichsano (haha) que usava bigode e gostava de sair de pijamas pela rua, ou até um pagodeiro que, juro, não tinha coração (já viram algum?). São pessoas que fizeram meus dias coloridos e que me fizeram ver que uma cidade bucólica no meio das montanhas pode ser chata, mas tem seus dias bons, e esses minha gente, valem mais que uma sobremesa boa do bandeijão (hehehe).
Acho que no fim das contas eu achei o que tinha ido procurar tão longe de casa, achei a-m-a-d-u-r-e-c-i-m-e-n-t-o. Valeu a pena. =D

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

-Porque você esconde seu rosto entre os cabelos, Anne?
-Ah, sei lá. Via as atrizes nas novelas, todas lindas e misteriosas, eu acho que quero parecer misteriosa também.
-Pois a mim você não parece nada disso, só parece o que realmente é, uma criança assustada.

(é mais ou menos assim que me lembro do livro)

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Insonia

Me deitei e dormi de imediato, estava cansada, o dia tinha sido longo e difícil.
Ah! Acordei assustada, não sei porque, acho que algum pensamento meu me assustou e acordei. Olhei no relógio, 02:10. Fechei os olhos para continuar a dormir, virei de barriga para baixo e pude sentir meu coração batendo de encontro ao colchão.
Tum tum tum tum tum tum
Tumtumtumtumtumtumtum
Tuntuntuntuntuntuntuntun
TUNTUNTUNTUNTUNTUN
Droga, merda, saco! Estou com crise de ansiedade a uma hora dessas, parabéns! Tentei me virar, de um lado para o outro e nada da sensação ruim passar. Estava com sede, mas fiquei com preguiça de ir a cozinha buscar água. 03:25. As horas passavam e eu me virando na cama, levantei e fui pegar água, bebi e não adiantou, meu coração parecia que ia explodir e a falta de ar era enorme. Deitei de barriga para cima e abri os olhos.
Tum tum tum tum tum tum
Fechei os olhos.
TUNTUNTUNTUNTUNTUN
Ótimo, não posso fechar os olhos que é capaz de morrer de ataque cardíaco. 05:49. A sensação não passava, meus olhos ardiam, me estômago se revirava e as horas insitiam em passar sem me deixar dormir. 06:30, escutei meu pai fazendo café na cozinha e a luz da manhã começava a invadir meu quarto/sala.
TUNTUNTUNTUNTUNTUN
Para coração! Que merda, droga, saco! O enjoo vinha cada vez mais forte, já não conseguia nem ficar de olhos fechados. Antes não tivesse coração, estaria dormindo tranquila, sem pensar besteiras, sem ficar triste por coisas que simplesmente acontecem, sem ter o perigo de morrer de ataque cardíaco com vinte e cinco anos. Merda, droga, saco!
TUNTUNTUNTUNTUNTUN
Meu humor estava cada vez pior, juntamente com meu estômago que teimava em enjoar por causa da minha crise.
MERDA, DROGA, SACO!
Desisti de tentar dormir.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Gramatiqueta

Norma,

(GRAMA)tica,

tradicionalismo,

PRE(con)CEITO linguístico.

(DES)respeito as normas?

Ou a liberdade da

LÍNGUA(gem)

(BRASIL)eira?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A liberdade de ver o mundo com meus próprios olhos

Nós sempre tivemos uma relação de amor e ódio, sabe? Eu o odiava, mas não conseguia ficar longe, parecia minha droga, minha obsessão, mas, também, o que eu poderia esperar, ao mesmo tempo em que ele me incomodava, fazia com que eu visse o mundo de uma maneira diferente, melhor.
Eu chorei tantas vezes de raiva dele, não saia de casa por sua causa, ficava deprimida querendo uma vida diferente, mas não conseguia me afastar, o queria todos os dias, todas as horas, logo que acordava já sentia necessidade dele, ao mesmo tempo que aquilo me completava, me deixava cada vez mais triste.
Quando decidi que não queria mais sua presença em minha vida, ainda demorei um pouco para realmente o afastar, foi difícil e o medo era tão grande! E se eu não conseguisse viver sem ele? E se eu viesse a precisar dele de novo um dia, como poderia voltar atrás?
Depois de muito pensar e tomar coragem, lá fui eu para o fim. Fiz o que tive de fazer, e acabei com tudo. Tudo, sem deixar nada dele em mim, acabou e como todo final foi triste.
No primeiro dia eu queria morrer, chorava sem parar e sua falta era desesperadora. A recuperação foi difícil, eu ia melhorando, mas, algo ainda faltava. Eu quis por tanto tempo me sentir livre, ficar longe dele e quando realmente consegui o que senti foi tristeza, não é estranho? Eu finalmente poderia ver o mundo de uma outra forma, sem ficar presa a ele e eu sentia sua falta todo dia. Na hora que acordava era tão estranho não vê-lo ao meu lado, mas mesmo assim eu caminhava pouco a pouco para a completa recuperação.
Hoje eu estou bem, me sinto até feliz sem ele, mas não do jeito que imaginava, acho que falta pouco para eu realmente não sinta mais essa carência. Na verdade eu estou até gostando dessa sensação de liberdade, de poder ver o mundo com meus próprios olhos.
Por isso que agora sempre digo: “Depois da operação refrativa, óculos, nunca mais!”

"Porque você não olha pra mim?
Me diz o que é que eu tenho de mal.
Porque você não olha pra mim?
Por trás dessa lente tem um cara legal."
=D